Ex-nº3 do Vaticano, cardeal condenado por desviar verba, cria polêmica e quer participar do conclave - Estadão


A convicted cardinal seeks to participate in the papal conclave, sparking controversy and raising questions about his relationship with Pope Francis.
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Conclave: Como é eleito o novo papa? Quem são os cotados para suceder Francisco?

7:10

Dos 136 votantes, 108 foram escolhidos durante o papado de Francisco. Veja como é o processo da eleição.

Um ex-conselheiro do papa Francisco, que já foi o número 3 na hierarquia do Vaticano e que deixou seus cargos após ser acusado por desvio de dinheiro, iniciou uma polêmica ao querer participar do conclave. O cardeal italiano Giovanni Angelo Becciu, de 76 anos, aparece como “não eleitor” na lista divulgada oficialmente, com 135 nomes que poderão escolher o novo pontífice. Mas declarou nesta terça-feira, 22, que o papa não “o expulsou” do conclave.

“O papa reconheceu minhas prerrogativas como cardeal intactas, pois não houve nenhum desejo explícito de me expulsar do conclave, nem pedido de minha renúncia explícita por escrito. A lista publicada pela assessoria de imprensa não tem valor jurídico e deve ser considerada como tal”, afirmou o cardeal ao jornal italiano L’Unione Sarda, da Sardenha, terra natal do religioso.

Cardeal Angelo Becciu em 24 setembro de 2022. Foto: Divulgação/Vatican News

Durante sete anos, Becciu foi muito próximo ao papa, era o substituto do secretário de Estado do Vaticano, uma espécie de chefia de gabinete - dessa forma, seria o terceiro na hierarquia. Foi também o próprio Francisco que o nomeou cardeal em 2018 e depois o colocou no cargo de prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, responsável pelos processos de canonização.

Mas em setembro de 2020 o papa anunciou que aceitava a renúncia de Becciu após vir a público um escândalo de corrupção, que envolvia a compra de uma propriedade em Londres por E$ 350 milhões com dinheiro da Igreja Católica. A declaração de Francisco dizia que ele aceitava a “a renúncia ao cargo” e “aos direitos ligados ao cardinalato”.

O cardeal foi o mais alto membro do Vaticano a enfrentar acusações dessa natureza. Em 2021, foi a julgamento e acabou condenado em 2023 por peculato (desvio de dinheiro público). A sentença determinava multas, reclusão e inabilitação para ocupar cargos públicos.

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Sua defesa anunciou que recorreria da decisão. O cardeal afirmou na época que foi “vítima de conspiração” e protestou contra sua “absoluta inocência”, segundo a agência AFP.

Ao saber da morte do papa nesta segunda-feira, 21, ele declarou que ficou “impressionado, profundamente chocado com a notícia que chegou tão repentinamente”. Afirmou ainda que “foram anos de estreita colaboração”, “de compartilhamento de escolhas e visões eclesiais, mas também de discussões honestas, sempre vividas na aceitação de suas decisões”.

“Não posso esconder o fato de que a súbita mudança em seu julgamento em relação a mim, com as consequências conhecidas que dela resultaram, causou-me imensa dor, que tentei aceitar como um teste do Senhor. Sinto-me consolado por ter mantido, apesar de tudo, o relacionamento adequado para alguém que, ao receber o cardinalato, jurou dar a vida pelo papa”, completou.

Na Igreja, ele exerceu atividades nas Representações Pontifícias do Sudão, Nova Zelândia, Libéria, Reino Unido, França e Estados Unidos.

Em 2011, foi Bento XVI quem o nomeou para substituto da secretaria de Estado. Uma de suas funções na Cúria era de falar com frequência em nome do Vaticano sobre notícias que o papa preferisse não se envolver.

Becciu também foi o responsável pelos procedimentos do conclave após a renúncia do papa, em 2013, que escolheu Francisco.

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